A Câmara Municipal de Ponte da Barca pediu um "Resgate Financeiro", traduzido na elaboração e aprovação de um Plano de Ajustamento Financeiro, no âmbito do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), para regularização do pagamento de dívidas a fornecedores vencidas há mais de 90 dias a 30 de Março de 2012, de acordo com o reporte efectuado no Sistema Integrado de Informação das Autarquias Locais. Este pedido de "Resgate", no valor máximo de 1.714.000,00 €, consubstanciado no Plano de Ajustamento Financeiro, com uma duração máxima de 14 anos, terá que conter um conjunto de medidas específicas e quantificadas, que evidenciem o restabelecimento da situação financeira do Município, tendo em conta os objectivos definidos no PAEL.
O Partido Social Democrata tem, sucessivamente, alertado para o aumento descontrolado da despesa e manifestado a sua preocupação com o nível demasiado elevado das despesas correntes, mas não temos sido ouvidos pela maioria socialista na Câmara Municipal.
Em devido tempo, o PSD disponibilizou-se para encontrar uma solução que evitaria este pedido de "Resgate". Vem, neste momento, a propósito lembrar parte do discurso que proferi, em nome do Partido Social Democrata, no dia 25 de Abril de 2010, na cerimónia evocativa do dia da liberdade:"O momento que o nosso País atravessa está e vai continuar a exigir enormes sacrifícios aos Portugueses, obrigando, igualmente, o Poder Local, particularmente a nossa Autarquia, a reorientar a sua intervenção e a assumir novos desafios, ao nível do rigor na gestão municipal, controlo das contas públicas, selectividade dos investimentos, dinamização da actividade económica local, participação activa nas políticas de emprego, justiça social, educação e formação e medidas concretas de apoio aos mais necessitados.
O nosso concelho precisa, desde já, que seja estabelecido um plano de contenção do endividamento municipal, que atinge actualmente um valor preocupante e nunca antes visto, o qual condiciona fortemente a gestão da autarquia e o futuro das gerações vindouras. Nesse sentido, manifestamos a nossa disponibilidade para participar e colaborar activamente na definição e implementação das medidas de contenção, de redução do endividamento municipal e da correcta afectação dos recursos financeiros municipais.
Não pretendemos, de forma alguma, pôr em causa a legitimidade que a actual maioria do Executivo Municipal tem para gerir os destinos do nosso concelho, nem tão pouco a legitimidade que a actual maioria na Assembleia Municipal tem para viabilizar as opções emanadas do Executivo, porque em democracia sabemos aceitar e respeitar os resultados eleitorais e as escolhas da população do concelho.Pretende-se, isso sim, que sejam salvaguardados os superiores interesses do Município e da sua gente através da legitimidade de quem governa, mas também de quem exerce a oposição." O Senhor Presidente da Câmara não quis ouvir, não prestou devida atenção às preocupações que, sucessivamente, lhe manifestamos, por isso, terá que assumir, sozinho, a responsabilidade por este pedido de "Resgate", por este Plano de Ajustamento Financeiro que penaliza o nosso concelho e a qualidade de vida dos Barquenses.
Como se compreende, esta situação condiciona a liberdade de acção dos futuros Executivos Municipais e traduz-se numa assinalável perda de autonomia, situação com a qual não concordamos e que merece a nossa rejeição.
O Senhor Presidente da Câmara refere no preâmbulo da sua proposta que "A situação financeira da Autarquia, apesar da existência de dívidas a fornecedores com um prazo superior a 90 dias, não se encontra em situação de desequilíbrio."Se assim é, Senhor Presidente, porque nos apresenta este "Resgate", este Plano de Ajustamento Financeiro?Use a situação financeira equilibrada que diz ter, para pagar as dívidas aos fornecedores, implemente as medidas de diminuição da despesa corrente e dispense as medidas com impacto na receita que têm como objectivo o aumento das receitas Municipais, particularmente aquelas que se traduzem num aumento da carga fiscal e que vão penalizar a qualidade de vida dos Barquenses, nomeadamente:
• Medida 1: Que se vai traduzir num aumento da tarifa da água e saneamento básico. Somos totalmente contra qualquer aumento destas tarifas;
• Medida 2: Que se traduz na venda de património do Município. Somos contra a delapidação do património propriedade da Câmara Municipal;
• Medida 3: Aperfeiçoamento do processo de controlo sobre os factos susceptíveis de gerarem cobranças de taxas e preços municipais, bem como no nível de aplicação de coimas nos processos de execução fiscal ao nível do Município, que se traduz em mais taxas e coimas. Somos contra esta postura da Câmara Municipal;
• Medida 4: Participação fixa no IRS, que se traduz num aumento da carga fiscal sobre os residentes no Concelho de Ponte da Barca e na consequente diminuição dos rendimentos da população. Somos totalmente contra a implementação desta medida. Em sentido oposto, Senhor Presidente, queremos dizer-lhe que conta com o nosso apoio na implementação das medidas com impacto na redução da despesa, desde que implementadas fora deste pedido de "Resgate", fora deste Plano de Ajustamento Financeiro:
• Medida 6: Implementação do programa de gestão de actividades com impacto na redução dos custos de contexto;
• Medidas 7, 8 e 9: Redução e racionalização das despesas de funcionamento, através da redução de 5% nos consumos de combustíveis, comunicações e electricidade, neste caso, desde que não prejudique a iluminação pública nas freguesias;
• Medida 10: Redução e racionalização das despesas de funcionamento, através da redução de 10% dos custos de conservação e reparação, desde que não ponha em causa a conservação e reparação dos equipamentos públicos e vias municipais;
• Medida 11: Redução e racionalização das despesas de funcionamento, através da redução de 50.000,00 € nos serviços diversos, desde que não sejam postos em causa os serviços prestados aos munícipes e a qualidade de vida da população do concelho;
• Medida 12: Redução e racionalização das despesas de funcionamento, através da redução de 50.000,00 € nos trabalhos especializados que, no nosso entendimento, respeitam a serviços de consultoria que podem e devem ser dispensados.
Plano de Ajustamento agrava seriamenteo custo de vida dos BarquensesPara além das medidas referidas, com impacto na receita e na despesa, assumidas pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal na sua proposta, outras há que importa sublinhar e que estão inscritas nos mapas do Plano de Ajustamento Financeiro.Assim, do lado da receita, temos:
1. Aumento da receita proveniente do IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis, em que a Câmara Municipal prevê arrecadar em 2013, com as taxas fixadas este ano, o valor de 1.223.816,82 €, o que representa mais 499.054,27 €, isto é, mais 68,9% do que o valor arrecadado no ano de 2011, que foi de 724.762,55 €. Esta situação inaceitável representa uma forte diminuição do rendimento das famílias Barquenses que são proprietárias de imóveis, pelo que não podemos aceitá-la .
2. Aumento da receita proveniente da venda de bens e serviços correntes, que vai passar do valor cobrado em 2011 de 855.853,89 €, para o valor previsto em 2013 de 1.349.880,87 €, que representa um aumento de 494.026,98 €, mais 57,7%, o que significa que a população do Concelho vai pagar mais pelos bens e serviços fornecidos pela Autarquia. Não aceitamos esta situação, uma vez que vai penalizar a qualidade de vida e diminuir o rendimento disponível das famílias.
Por sua vez, do lado da despesa, importa sublinhar:
1. A despesa corrente vai continuar a aumentar, passando de 8.402.960,58 € em 2011 para 8.789.087,23 € em 2013, ou seja, um aumento de 386.126,65 €, mais 4,6% do que em 2011, situação que é incompreensível e que merece a nossa total oposição, ainda por cima nos tempos difíceis que se vivem;
2. No que toca às transferências para as Juntas de Freguesia, desenganem-se os Senhores Presidentes de Junta se pensam que o Senhor Presidente da Câmara Municipal vai alterar a sua política, deliberada, de asfixia financeira das Juntas de Freguesia, porque essa política vai continuar.
Senão vejamos. Em 2011, o Senhor Presidente da Câmara transferiu para a totalidade das 25 Freguesias do Concelho, em transferências correntes, o valor de 301.815,84 €, e em 2013 prevê transferir o valor de 326.065,82 € e, espantem-se, fixa o valor a transferir para as Juntas de Freguesia no ano de 2026, que será de 334.150,13 €. Sem comentários.
Pelo que ficou dito, Senhor Presidente da Câmara, a situação que nos apresenta é grave, resulta da sua gestão, é da sua inteira responsabilidade, hipoteca o futuro de Concelho, não responde aos anseios da população e penaliza fortemente o rendimento e a qualidade de vida dos Barquenses.Por isso, terá que assumir as suas responsabilidades.
O Partido Social Democrata alertou-o em devido tempo e o Senhor não nos quis ouvir. O Partido Social Democrata não será conivente com a sua política, com o estado em que colocou o Concelho de Ponte da Barca e, por isso, vota contra este pedido de "Resgate Financeiro", vota contra o Plano de Ajustamento Financeiro.
Obrigado pela Vossa atenção.
Ponte da Barca, 01 de Outubro de 2012
Armindo Silva
Grupo Municipal do PSD na Assembleia Municipal de Ponte da Barca
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